Quando se começa a estudar qualquer assunto, começa-se com as noções fundamentais que, nesse momento inicial, são praticamente aceites como um dado para podermos aprofundar e compreender as complexidades desse mesmo assunto. O inverso também acontece: às vezes só décadas de experiência permitem sair da floresta e olhar não só para a árvore mas para a folha individual. Ou seja, trata-se da capacidade de abstrair princípios do meio da complexidade e reiterá-los, reenquadrá-los, relembrá-los.
Isto para dizer que uma das melhores coisas que tenho lido ultimamente está numa newsletter de Howard Marks:
“Quem pretender participar financeiramente num negócio, tem, essencialmente duas escolhas: (a) possuir parte do negócio e (b) conceder um empréstimo ao mesmo”.
E desta simplificação do que são, por exemplo, ações e obrigações, segue dizendo que os investidores e corretores caem no erro de meter os dois no mesmo saco. Quando se compra parte de um negócio está-se a pôr o capital em risco sem qualquer promessa de retorno mas com direito a um valor proporcional do lucro ou cash-flow, se existir. Quando se empresta a um negócio para ajudar na operação ou expansão do mesmo, recebe-se em troca a promessa de juros periódicos e o reembolso do capital no final do empréstimo.
E esta diferença de natureza fundamental é o que deverá guiar as decisões de investimento: ou se pretende maximizar o crescimento do capital ou preservá-lo. A construção do portfólio é a arte de equilibrar estas duas opções.
Não é nada de novo, mas eu admiro a clareza.
O que é novo(?) e o que o Howard Marks espera que seja a sua contribuição para o mundo do investimento é o seguinte:
- Partindo da noção fundamental que aumentando o risco aumenta o retorno:
- Passamos a uma visão mais clara do que é o risco: à medida que o “risco” aumenta não é só o retorno esperado que aumenta. O intervalo de resultados possíveis torna-se mais amplo. Os resultados podem ser muito bons ou muito maus!
Deixe um comentário